Desafios na Continuidade das Gestões Estaduais
A última pesquisa Genial/Quaest, divulgada recentemente, traz à tona os desafios que governadores enfrentam em diferentes estados do Brasil, tanto aqueles que buscam a reeleição quanto os que desejam indicar sucessores. Dos dez estados analisados, pelo menos oito apresentam um cenário preocupante para a continuidade das gestões: Rio, Minas Gerais, Pernambuco, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Pará e Ceará. As exceções são São Paulo, onde Tarcísio de Freitas (Republicanos) se destaca com uma vantagem confortável, e Goiás, onde o vice de Ronaldo Caiado (PSD) lidera os cenários.
Especialistas consultados pelo GLOBO destacam que figuras menos conhecidas, ligadas aos governadores, podem ganhar visibilidade à medida que as campanhas ganham força. No entanto, observam que a transferência de apoio de um governador para seu sucessor tem se mostrado menos eficaz nas eleições mais recentes.
Minas Gerais: Um Cenário Complicado para o Sucessor
No estado de Minas Gerais, a situação é especialmente complicada. O governador Romeu Zema (Novo) deixou o cargo para concorrer à Presidência da República, o que torna difícil para seu sucessor, Mateus Simões (PSD), ganhar tração. Após praticamente cumprir seu mandato como vice-governador, Simões aparece apenas na quarta posição nas intenções de voto, com apenas 4%.
Curiosamente, o levantamento aponta como líder um senador que ainda não confirmou sua candidatura: Cleitinho (Republicanos). Ele é seguido pelo ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), o senador Rodrigo Pacheco (PSB) e Ben Mendes (Missão), que está empatado numericamente com Simões.
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Desafios no Paraná e Rio Grande do Sul
O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), uma vez cogitado como potencial candidato à presidência, decidiu permanecer no cargo para apoiar seu sucessor. Contudo, seu aliado e ex-secretário de Infraestrutura, Sandro Alex, enfrenta dificuldades, ocupando a quarta posição nas intenções de voto, variando entre 5% e 6% — atrás de figuras como o senador Sergio Moro (PL).
No Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), também ex-pretendente presidencial, apoia o vice Gabriel Souza (MDB), mas o cenário não é favorável. Souza atinge apenas 6% nas intenções de voto, comparado a 24% da ex-deputada Juliana Brizola (PDT) e 11% do deputado federal Luciano Zucco (PL).
O Eleitorado Volátil e a Dificuldade em Garantir sucessão
O cientista político da UnB, Murilo Medeiros, ressalta que embora candidatos com apoio do governo frequentemente ganhem força durante a campanha, transformar essa vantagem em votos não é garantido. Ele observa que o eleitor atual é mais volátil e menos leal a políticos tradicionais. “O apoio do governo pode não ser suficiente para garantir uma vitória nas urnas”, comenta.
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Desafios no Nordeste: Pernambuco e Bahia
No Nordeste, a busca pela reeleição também se mostra complexa. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), está atrás do ex-prefeito João Campos (PSB), que lidera com 42% contra 34% de Lyra. Em um eventual segundo turno, Campos também se mostra à frente, marcando 46% contra 38%.
Na Bahia, a situação é semelhante, com o governador Jerônimo Rodrigues (PT) atrás do ex-prefeito ACM Neto (União). A pesquisa aponta 41% para Neto e 37% para Rodrigues no primeiro turno, enquanto no segundo turno a diferença se mantém favorável ao ex-prefeito.
Ceará e a Oposição em Ascensão
A oposição também está em alta no Ceará, onde o governador Elmano de Freitas (PT) aparece com 32% nas intenções de voto, contra 41% do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), que lidera em um possível segundo turno com 46% a 35%.
O cientista político Antônio Lavareda sugere que as dificuldades enfrentadas pelos governadores são reflexo do histórico político de seus rivais. “Ex-prefeitos de capitais têm mostrado forte desempenho em disputas para o governo”, explica Lavareda, destacando que a popularidade de candidatos com fortes vínculos locais tem impacto direto nas eleições.
São Paulo e Goiás: Exceções Favoráveis
Em contraste, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se destaca com 38% a 40% das intenções de voto nos cenários de primeiro turno, enquanto Fernando Haddad (PT) fica atrás com 26% a 28%. No segundo turno, a vantagem de Freitas é ainda mais confortável, com 49% contra 32% de Haddad.
Em Goiás, Daniel Vilela (MDB) lidera a corrida, aparecendo com 33% a 34% nas intenções de voto, superando seu oponente, Marconi Perillo (PSDB), que marca 21%. Vilela mantém uma vantagem robusta em um eventual segundo turno, alcançando 46% contra 27%.
