Operação da Polícia Federal e Acusações de Corrupção
Nesta quinta-feira, a Polícia Federal (PF) prendeu o advogado Daniel Monteiro em uma operação vinculada a um esquema de corrupção que envolve o Banco Master. De acordo com as investigações da PF, Monteiro desempenha o papel de cotista de fundos relacionados ao banco e é suspeito de efetuar pagamentos de propinas a autoridades, sob a orientação de Daniel Vorcaro, o proprietário do Master.
Documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) obtidos pela Folha revelaram que Monteiro fazia parte de uma complexa rede de fundos que eram utilizados para financiar atividades ilícitas. A operação da PF resultou na apreensão de documentos do advogado, o que poderá levar a novas apurações sobre o caso. A defesa de Monteiro, por sua vez, refutou as alegações, afirmando que ele estava apenas exercendo suas funções jurídicas.
Montantes Envolvidos e Conexões Empresariais
A investigação aponta que Monteiro teria recebido aproximadamente R$ 86 milhões do Banco Master para atuar como um agente essencial na estrutura criminosa. Ele é cotista de dois fundos, conhecidos como Le Mans e Ikran, este último com uma participação significativa de uma empresa da qual também é sócio, chamada Attavic.
A relação entre os fundos se estende ainda mais: o Ikran é cotista do fundo Hot Plasma, que por sua vez possui participação em um poço de petróleo na Bahia, através da empresa Rubicão. Segundo informações da Receita Federal, Luiz Antonio Lombardi é o administrador da Rubicão, que é conectada a outras três empresas ligadas ao Banco Master.
Ramificações da Rede e Outros Investigados
Entre as diversas empresas ligadas a essa rede, está o fundo Sebastian, que tem o Le Mans como cotista. O Le Mans, por sua vez, está interligado com outros dois fundos associados ao Master. O grupo também inclui o GT4, proprietário de duas empresas, e a Harpia, que é administrada por Ana Cláudia Queiroz Paiva, identificada pela PF como responsável por movimentações financeiras suspeitas.
A Harpia mantém ainda vínculos com o fundo Lunar, que foi mencionado em decisões judiciais que bloquearam a venda de bens de Vorcaro. De forma intrigante, o fundo Le Mans possui participação indireta em dois aviões de alto valor, através das empresas Pegasus e Harpia.
Relações com Outros Envolvidos e Investigações em Andamento
Além de suas atividades financeiras, Ana Cláudia Queiroz Paiva também é funcionária do escritório de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que é considerado um dos operadores financeiros da organização. Ela está sob investigação pela Polícia Federal por uma possível ligação com pagamentos a milícias privadas associadas ao conglomerado.
Daniel Monteiro foi detido na mesma operação que resultou na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A PF identificou o papel do advogado na estruturação e ocultação de seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília, com um valor estimado em R$ 146,5 milhões, que estavam destinados a Costa.
Mensagens trocadas entre Costa e Vorcaro mencionam Monteiro, discutindo contratos que envolvem a estrutura financeira do BRB e do Banco Master. A PF sugere que essas comunicações poderiam incluir a facilitação de operações entre as duas instituições financeiras.
