Posicionamento do Setor Produtivo
O setor produtivo brasileiro, representado pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), manifestou-se contrariamente à tramitação acelerada de um projeto sobre o fim da escala 6×1, que está sendo proposto em regime de urgência. A confederação defende que a votação desse tema seja adiada para 2027, evitando assim a influência das eleições nos debates e decisões que impactam diretamente o trabalho e a economia.
Alfredo Cotait Neto, presidente da CACB e de outras associações comerciais relevantes, argumenta que um debate efetivo é necessário e deve ocorrer fora das conturbadas circunstâncias eleitorais. “Nossa proposta é discutir essa questão de forma séria em 2027. A sociedade civil, tanto trabalhadores quanto empresários, está pronta para encontrar soluções. Contudo, não devemos criar uma nova legislação que engesse o debate, visto que já temos a possibilidade de negociação na reforma trabalhista atual”, expôs Cotait Neto.
Perspectivas e Necessidade de Diálogo
O presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais da Bahia (FACEB), Paulo Sérgio Costa Pinto Cavalcante, complementou a visão de Cotait Neto, destacando que a discussão deve ser mais ampla, indo além das mudanças na escala de trabalho. “Precisamos construir uma solução equilibrada que respeite as nuances de cada setor. O foco deve ser na transição adequada e nas negociações coletivas”, afirmou Cavalcante.
A proposta de Emenda à Constituição (PEC), que visa alterar a jornada de trabalho, deve ser votada na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) em abril. Após essa votação, o projeto seguirá para uma comissão especial que analisará o mérito da proposta. O manifesto da CACB defende um diálogo amplo e sem pressões, considerando que isso pode levar a um consenso que beneficie a todos os envolvidos no sistema econômico.
“Um diálogo que respeite todos os agentes econômicos e sociais envolvidos é fundamental para encontrar um caminho que satisfaça os interesses de todos os lados. O temor de um projeto de lei com tramitação rápida pelo governo é que ele impeça discussões necessárias sobre as consequências das mudanças na jornada de trabalho”, destaca o manifesto.
Urgência e Responsabilidade nas Decisões
A PEC 8/2025, que se encontra em tramitação na Câmara, foi apensada à PEC 221/2019. Esta última, que já aguarda parecer na CCJC, será relatada pelo deputado Paulo Azi (UNIÃO-BA). As discussões estão agendadas para o próximo dia 15, e a expectativa é que a votação no Plenário ocorra até o final de maio, conforme informações da Agência Câmara de Notícias.
As entidades que apoiam a CACB – mais de 60 no total – ressaltam a necessidade de uma discussão mais ampla, que não se limite aos aspectos técnicos da jornada, mas que também considere as complexidades que envolvem empregadores e trabalhadores. “A rapidez nas decisões pode gerar impactos negativos significativos sobre a economia, e essa é uma preocupação que não pode ser ignorada”, afirma o manifesto.
Desafios e Consequências da Alteração
A análise sobre a implementação da nova jornada de trabalho deve ser cautelosa, alertam especialistas. De acordo com Cavalcante, existem indícios de que a alteração da escala 6×1 pode acarretar custos operacionais elevados e um eventual repasse desses custos ao consumidor final, além de diminuir os investimentos em setores que são cruciais para a economia, como o comércio e os serviços. “A estrutura de pequenos negócios é fundamental, e um modelo rígido pode inviabilizar a operação dessas empresas”, alerta.
Cotait Neto também enfatiza que qualquer mudança na jornada deve ser resultado de negociações entre empregadores e trabalhadores. “Precisamos envolver todos os setores da sociedade civil organizada e discutir como podemos implementar alterações que não gerem problemas futuros, como inflação ou desemprego”, conclui.
