Uma Nova Era para a Educação na Bahia
Na última quarta-feira (1), o Ministério da Cultura (MinC), o Ministério da Educação (MEC), a Fundação Nacional das Artes (Funarte) e o Governo da Bahia anunciaram, em Salvador, o lançamento da ação “Arte e Cultura na Educação em Tempo Integral”. O evento aconteceu no Colégio Estadual Luiz Viana e marcou a implementação de uma série de políticas voltadas para a formação artístico-cultural na rede pública de ensino baiana.
Essa ação impactará aproximadamente 16,8 mil estudantes em oito escolas situadas em diversos municípios e sete territórios de identidade da Bahia. Dentre as iniciativas previstas, destacam-se o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena, a presença de artistas residentes nas escolas, intercâmbios com mestres das culturas populares, além de atividades voltadas para leitura, escrita criativa, audiovisual e eventos culturais fora do ambiente escolar.
Parcerias e Integração Cultural
O programa é coordenado pelo MinC, através da Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli), em colaboração com o MEC, por meio da Secretaria de Educação Básica (SEB). Na Bahia, a ação conta com a parceria da Secretaria Estadual de Cultura (Secult-BA) e da Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC). A programação do evento incluiu duas atividades principais: o lançamento da ação e a apresentação dos “Cadernos Técnicos Funarte de Mediação Artística”.
Esse projeto integra uma política nacional mais ampla, que já conta com a adesão de 24 estados e visa atender cerca de 123 mil alunos em 604 escolas espalhadas por 346 municípios, incluindo comunidades rurais, indígenas e quilombolas.
Contribuição para a Educação Integral
Durante o evento, Fabiano Piúba, secretário de Formação Artística e Cultural do MinC, ressaltou a importância da integração entre cultura e educação. “Este programa é um avanço significativo na promoção da educação integral no país. Não se trata apenas de um tempo integral; é essencial incorporar arte e cultura nas escolas e em outros espaços de aprendizagem. Estamos convencidos de que a cultura é fundamental para enriquecer os processos de ensino e aprendizagem, além de estimular a criatividade e o pensamento crítico”, afirmou.
Tereza Farias, diretora de Políticas e Diretrizes da Educação Integral Básica do MEC, também comentou sobre a relevância das ações já existentes e como a nova iniciativa potencializa essas estratégias. “Estamos materializando um projeto que foi cuidadosamente planejado. Ele permitirá que cada escola expresse sua identidade regional e potencialidades”, destacou.
Projeções Futuras e Desafios
Previsto para ser executado até dezembro de 2026, o programa foi elogiado por Rowenna Brito, secretária da Educação do Estado, que enfatizou como a ação fortalece as políticas públicas já implantadas pela SEC e a Secult-BA. “Acreditamos que a arte e a cultura são elementos fundamentais para a aprendizagem e para valorizar a escola pública. O apoio dos ministérios amplia nosso alcance e impacto”, declarou.
Bruno Monteiro, secretário de Cultura da Bahia, também mencionou que a iniciativa abre novas oportunidades de formação dentro das escolas, com o objetivo de transformar as instituições em espaços de criação artística e técnica. “Queremos que nossos alunos tenham acesso à formação artística, contribuindo para a economia criativa e o desenvolvimento pessoal”, finalizou.
Iniciativas Complementares em Outros Estados
Além na Bahia, o Ceará também deu início à ação com um evento em Fortaleza, no dia 27 de março, durante o 5º Encontro do Sistema Estadual de Cultura do Ceará. Este encontro solidificou a parceria entre os governos federal e cearense para promover atividades culturais nas escolas.
Rafael Maximiniano, diretor de Educação e Formação Artística do MinC, destacou a importância da intersecção entre cultura e educação, enfatizando que é impossível dissociar essas áreas. “A educação deve considerar a integralidade do ser humano”, afirmou.
Compromisso com a Formação Artística
Maria Marighella, presidenta da Funarte, expressou sua emoção durante o lançamento, que ocorreu no dia seguinte ao decreto da Política Nacional das Artes, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Estamos comprometidos em expandir a cultura nas escolas, promovendo desenvolvimento, autonomia e liberdade para os estudantes”, afirmou.
A Funarte também será responsável pelo acompanhamento e monitoramento do programa, garantindo que a presença de artistas nas escolas fortaleça a experiência educativa. Os “Cadernos Técnicos de Mediação Artística” são resultado de uma pesquisa em colaboração com a Universidade Federal da Bahia, abordando a mediação como um direito de acesso às artes.
Por fim, a Funarte está implementando uma experiência piloto com residências artísticas no Colégio Estadual Luiz Viana, que inclui práticas em música, dança e circo, promovendo a integração entre arte e educação. As atividades contarão com a participação de artistas e educadores, com o intuito de engajar a comunidade escolar e evidenciar as sinergias entre os processos artísticos e educacionais.
