A Influência da Mata Atlântica no Cacau Paranaense
O cultivo do cacau no Paraná tem ganhado destaque, com especialistas ressaltando que a Mata Atlântica conferiu ao fruto características únicas, tornando os chocolates produzidos na região especialmente saborosos, com notas frutais e florais. Essa adaptação ao clima e ao solo local tem atraído a atenção de produtores e consumidores que buscam excelência e originalidade nos produtos.
Um dos representantes dessa nova geração de produtores é Luiz Paulo Gnatta, responsável pela Estação Agroflorestal Marumby, localizada em Morretes. Ele gerencia uma propriedade de aproximadamente cinco hectares, onde a banana predomina, mas o cacau começa a ganhar espaço. Gnatta plantou a variedade Parazinho, típica da Bahia e da Amazônia, em consórcio com bananeiras e outras frutas, como o abacateiro. “Identifiquei-me com esta cultura, que se adapta bem à sombra, tornando o cultivo agroflorestal mais viável”, explica.
A produção de mudas representa mais de 50% da atividade agrícola de Gnatta, que expressa o desejo de expandir sua área dedicada ao cacau fino, planejando destinar até 15 hectares para essa cultura nos próximos anos. Embora a espera pela primeira colheita de frutos leve de três a quatro anos, ele já visualiza o cacau como futuro carro-chefe da propriedade.
Cooperação e Capacitação: O Caminho para o Sucesso
Uma iniciativa envolvendo cerca de 40 agricultores do litoral paranaense tem incentivado a produção do cacau em sistemas agroflorestais. O projeto, promovido pela Macondo Chocolates Artesanais, uma empresa familiar colombiana que fabrica chocolates “bean to bar”, conta com o apoio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR). A ideia é capacitar os pequenos e médios produtores fornecendo informações essenciais sobre práticas agrícolas e técnicas de produção.
“O clima menos intenso e a sombra favorecem a qualidade do cacau, que se destaca pela ausência de amargor”, afirma Emerson Gerstemberger, chefe regional do IDR em Paranaguá. O projeto não só oferece orientações sobre plantio, colheita e fermentação, como também busca desenvolver tecnologias adaptadas às características climáticas do Sul do Brasil.
Além da Macondo, outras 15 empresas de chocolate na capital paranaense também estão de olho na produção local, segundo Gerstemberger. O cacau fino paranaense não é apenas utilizado para a fabricação de chocolate, mas também em nibs, geleias, sucos, licores, cachaças e até cervejas.
O Futuro Promissor do Cacau Fino
No momento, três produtores do litoral paranaense já fornecem cacau fino para a Macondo, que pretende aumentar esse número para 15 em um período de dois anos. Um dos diferenciais do projeto é a criação de chocolates que incorporam frutas nativas da região, como palmeira juçara, pitanga, araçá, grumixama e cerejas silvestres.
“Estamos desenvolvendo uma nova origem para o chocolate subtropical”, afirma Fares Guarim, proprietário e chocolateiro da Macondo. O mercado promete ser rentável, já que enquanto o preço médio do cacau convencional gira em torno de R$ 16 por quilo, o cacau fino pode alcançar valores de R$ 50 por quilo, o que torna o investimento atrativo para os produtores locais.
