Uma Celebração de Histórias e Realidades
Neste domingo, 29 de março de 2026, Salvador, a primeira capital do Brasil, completa 477 anos de sua fundação. O evento é um marco que destaca a rica história e a pluralidade cultural da cidade, que também se mostra uma força econômica. No entanto, um levantamento recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) traz à tona dados que desafiam muitas das ideias preconcebidas sobre a capital baiana. O estudo identifica cinco mitos e duas verdades sobre o perfil da população, religião e aspectos sociais, revelando facetas frequentemente esquecidas no imaginário coletivo.
A análise, elaborada a partir do Censo Demográfico 2022, da PNAD Contínua e da Pesquisa Nacional de Saúde, apresenta um panorama mais realista de Salvador, confrontando estereótipos populares com dados concretos. Entre os principais achados, destaca-se a composição racial, a religiosidade, a estrutura etária e a distribuição da população em diferentes áreas da cidade.
Composição Racial: Um Mito a Ser Desmistificado
Um dos equívocos mais marcantes sobre Salvador é a afirmação de que a cidade seria “a mais negra fora da África”. Na realidade, embora a presença afro-brasileira seja significativa, os números não corroboram essa ideia. Em 2022, Salvador contava com 2,011 milhões de indivíduos que se autodeclararam pretos ou pardos, o que equivale a 83,2% da população. Apesar de impressionante, essa estatística coloca Salvador em terceiro lugar no Brasil, ficando atrás de São Paulo e Rio de Janeiro. Quando se pensa em proporção total da população, a cidade só aparece em 484º lugar entre os municípios do país.
Contudo, um dado importante permanece: Salvador é a capital com a maior concentração de pessoas negras, com 34,1%, que sublinha ainda mais sua identificação cultural com raízes africanas.
Religião: A Diversidade das Crenças em Números
Outro mito que permeia a percepção sobre Salvador é a ideia de que a cidade abriga o maior número de praticantes de religiões de matriz africana. A evidência trazida pelo IBGE, no entanto, contradiz essa visão. Embora as tradições religiosas estejam profundamente enraizadas na cultura local, Salvador apresenta a maior taxa de pessoas sem religião entre as capitais do Brasil, com 18,5% da população nessa condição.
Além disso, em termos absolutos, Salvador ocupa apenas a quarta posição no número de adeptos de candomblé e umbanda, e a 70ª em proporção nacional, sendo superada por cidades como Porto Alegre e Rio de Janeiro.
Estrutura Populacional: Predomínio Feminino e Envelhecimento
Um dos dados que se revelam verdadeiros diz respeito à composição de gênero. Salvador apresenta a menor proporção de homens entre as capitais brasileiras, com apenas 45,6% da população masculina. Isso resulta em uma proporção de oito homens para cada dez mulheres, colocando a cidade na segunda posição com a menor taxa de homens em todo o Brasil, perdendo apenas para Santos, em São Paulo.
Outro aspecto que desafia a imagem de uma cidade jovem e festiva é a média de idade dos habitantes. Com 17,4% da população com 60 anos ou mais, Salvador apresenta um percentual acima da média nacional de 15,9%. Esses dados indicam uma transição demográfica que já se solidificou, impactando diretamente nas políticas públicas e no planejamento urbano.
Distribuição Territorial e Estado Civil: Um Retrato da Vida na Cidade
Contrariando a crença comum de que a população de Salvador está predominantemente concentrada na orla, os dados mostram que 72% dos habitantes vivem em áreas internas. Este fator revela a complexidade da estrutura urbana, com uma densidade populacional significativa em regiões mais afastadas do litoral.
Outro dado interessante diz respeito ao estado civil dos moradores. Salvador apresenta uma das maiores proporções de pessoas solteiras entre as capitais, com 55,3% da população não vivendo em união conjugal, ocupando a segunda maior taxa do país, atrás apenas de São Luís, no Maranhão.
Atividade Física: Quebrando Estereótipos de Inatividade
A ideia de que os soteropolitanos são “preguiçosos” é desmentida por dados que revelam um cenário ativo. Cerca de 69,4% dos adultos em Salvador se exercitam adequadamente, tornando a cidade a capital brasileira com a maior proporção de atividades físicas realizadas. Essa informação contraria percepções superficiais e reforça a importância de uma análise fundamentada em dados reais.
