Desafios na Saúde Mental e Comportamentos entre Adolescentes
A mais recente edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), divulgada pelo IBGE em parceria com os ministérios da Saúde e da Educação, apresenta um retrato complexo da realidade dos adolescentes de 13 a 17 anos na Bahia. A pesquisa, divulgada nesta quarta-feira (25), revela que, apesar da redução no consumo de álcool e drogas ilícitas, índices alarmantes relacionados ao bullying, à violência sexual, ao uso de cigarros eletrônicos e à saúde mental ainda persistem, sinalizando a necessidade de intervenções estruturais nos ambientes escolar e familiar.
O levantamento abrangeu 4.278 escolas em todo o Brasil — 192 delas situadas na Bahia — e entrevistou mais de 150 mil estudantes. No estado, 6.758 adolescentes participaram da pesquisa, que representa uma amostra significativa em relação aos aproximadamente 846 mil jovens matriculados, com foco principal na rede pública de ensino.
Aumento do Bullying entre Adolescentes
Um dos pontos mais alarmantes identificados no estudo é o crescimento do bullying. Em 2024, cerca de 37,7% dos adolescentes na Bahia relataram ter enfrentado humilhações recentes na escola, um aumento em comparação aos 34,1% registrados em 2019. Esse percentual coloca o estado em uma posição preocupante, sendo o quarto maior aumento entre os estados brasileiros.
Na capital, Salvador, a situação é semelhante, com 38,3% dos estudantes afetados. As meninas e os alunos da rede privada são os mais atingidos. A aparência física, incluindo rosto, cabelo e corpo, figura como a principal razão para as agressões, com um aumento expressivo em relação ao levantamento anterior.
Queda no Consumo de Álcool e Aumento do Uso de Cigarros Eletrônicos
A pesquisa indica um panorama um tanto contraditório. Se por um lado houve uma diminuição no consumo de álcool, com a proporção de adolescentes que já experimentaram bebida alcoólica caindo de 60,6% em 2019 para 51,6% em 2024, representando ainda mais da metade dos estudantes, por outro lado, o uso de cigarro eletrônico disparou. O percentual de jovens que experimentaram cigarros eletrônicos subiu de 9,6% para 21,2%, atingindo um em cada cinco adolescentes no estado.
Violência Sexual em Alta
A violência sexual é outro aspecto preocupante. Em 2024, 8,6% dos adolescentes baianos afirmaram ter sido forçados a atos sexuais, um aumento significativo em relação aos 5,1% de 2019. O levantamento revela que 70,4% das vítimas enfrentaram violência antes dos 13 anos e que 76,8% das agressões foram cometidas por pessoas conhecidas. Aproximadamente um terço dos casos envolve familiares como agressores, evidenciando uma vulnerabilidade social que afeta especialmente as meninas e os estudantes da rede pública.
Iniciação Sexual e Saúde Mental
Embora a proporção de adolescentes que já tiveram relações sexuais tenha caído para 30,8% na Bahia, a iniciação sexual precoce aumentou, refletindo uma realidade complexa. Entre os jovens sexualmente ativos, 41,2% iniciaram sua vida sexual antes dos 13 anos, ampliando os riscos associados à saúde e proteção social.
Os indicadores de saúde mental, por sua vez, não mostraram melhora significativa. Em 2024, 29,4% dos adolescentes relataram sentir tristeza frequente, e 19,9% afirmaram que a vida não vale a pena. Além disso, 31,9% expressaram vontade de se machucar, com números especialmente preocupantes entre as meninas, que apresentaram índices significativamente superiores aos meninos em todos os parâmetros analisados.
Atividade Física e Sedentarismo
Apesar dos desafios, houve um pequeno avanço na prática de atividades físicas. Em 2024, 28,1% dos adolescentes foram considerados ativos, um aumento em relação aos 25,4% de 2019. Contudo, o comportamento sedentário ainda persiste, com 40,7% dos jovens passando mais de três horas diárias em frente a telas, embora tenha havido uma leve queda em comparação ao período anterior.
Perfil Demográfico dos Estudantes
O perfil dos adolescentes na Bahia se mantém relativamente constante: 52,1% são mulheres e 25,7% se identificam como pretos, enquanto 49,7% se consideram pardos. A maioria dos estudantes, cerca de 85,5%, está matriculada em instituições públicas de ensino, refletindo as características demográficas e históricas do estado, que ainda apresenta uma das maiores proporções de estudantes pretos no país.
