Novas Articulações na Campanha de Flávio
A recente declaração da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que descartou a possibilidade de integrar a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), forçou uma reavaliação na estratégia da campanha do senador. Tereza, vista como a escolha ideal para diminuir as resistências do agronegócio à pré-candidatura de Flávio, sinalizou em reuniões nas últimas semanas que prefere focar em seu mandato e considera até mesmo concorrer à presidência do Senado em 2027.
Esta mudança na postura da senadora levou a equipe de Flávio a retomar conversas com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), além de explorar alternativas no Nordeste. Embora a senadora tenha se posicionado de forma cautelosa, negando que haja uma negociação formal com o senador, aliados observam que sua decisão pode abrir novas frentes de diálogo.
— A escolha do vice normalmente ocorre nas etapas finais de uma campanha e depende de diversos fatores, inclusive das coligações — declarou Tereza, em um tom que sugere que ainda existe espaço para negociação.
Apesar da nova realidade, a prioridade da campanha não mudou. Dirigentes do PP continuam a apontar Tereza como a candidata preferida. Um dos aliados reagiu com ironia à recente negativa da senadora, afirmando que, na verdade, “todos querem” fazer parte da chapa.
Retomada de Negociações com Zema
Com esse novo cenário, a campanha de Flávio voltou a dialogar com o Novo. De acordo com fontes próximas, Eduardo Ribeiro, presidente do partido, discutiu com Ciro Nogueira (PP-PI) a possibilidade de Zema ser o vice. Esse movimento é considerado uma evolução significativa em comparação a posturas anteriores, quando o Novo resistia a se alinhar ao bolsonarismo.
O nome de Zema se destaca não apenas pela influência eleitoral de Minas Gerais, mas também pela importância que uma aliança com ele pode ter na disputa estadual. Parte dos aliados de Zema acredita que estar ao lado de Flávio é crucial para assegurar a sucessão do governo estadual, especialmente com a candidatura do vice-governador Mateus Simões (Novo).
A leitura que prevalece entre os interlocutores é que o apoio do PL é uma necessidade estratégica para evitar o isolamento político em Minas. Um aliado de Zema expressou essa ideia ao afirmar que, sem o bolsonarismo, o grupo ficaria sem um candidato viável, comprometendo a disputa estadual.
Planos Alternativos no Nordeste
Além de manter Tereza e Zema como opções, a equipe de Flávio começou a explorar possibilidades no Nordeste. Nomeados entre as alternativas estão o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil-BA), e a ex-deputada federal Roberta Roma (PL-BA). Roberta, em caso de composição, poderia mudar de partido, dependendo da definição final da chapa.
Em resposta, Roberta expressou cautela diante da possibilidade, reiterando seu empenho para renovar seu mandato na Bahia. — Acredito que Tereza Cristina é o melhor nome para a vice, então estou focando em meu trabalho aqui na Bahia — disse a ex-deputada.
Essas alternativas são discutidas por aliados como o ex-ministro Marcelo Queiroga (PL-PB), o senador Rogério Marinho (PL-RN) e o ex-ministro João Roma (PL-BA), que são considerados os responsáveis pela articulação da estratégia no Nordeste. Além de Roberta, também estão sendo cogitadas a vereadora Priscila Costa (PL-CE) e a deputada Carla Dickson (PL-RN), que poderiam trazer uma perspectiva conservadora e uma conexão com o eleitorado evangélico da região.
Com Carla recém-filiada ao PL e Priscila contando com o apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o foco é encontrar uma mulher no Nordeste que possua um perfil conservador e que se conecte com diferentes segmentos eleitorais.
Desafios em Meio ao Caso Master
A busca por um vice ocorre em um clima de instabilidade na centro-direita, especialmente com o avanço das investigações do caso Banco Master. Essa situação adiciona uma camada de incerteza às alianças em formação.
Aliados de Flávio afirmam que as repercussões deste caso começaram a influenciar as discussões sobre a composição da coalizão, especialmente após a divulgação de mensagens na investigação que mencionam lideranças de partidos como União Brasil e Progressistas. Isso levou a uma reflexão sobre os possíveis custos políticos associados a alianças que possam ser impactadas por esse assunto.
