Desdobramentos do Caso Master no Cenário Político
O caso do Banco Master vem gerando repercussões significativas entre as principais lideranças políticas da Bahia. Recentemente, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, que é pré-candidato para o governo do estado, foi implicado em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou que ele recebeu R$ 3,6 milhões de recursos da instituição financeira, vinculada à gestora de recursos Reag. Os depósitos ocorreram logo após as eleições de 2022, entre março de 2023 e maio de 2024. Em resposta, Neto alegou que o montante se refere a serviços de consultoria, tentando minimizar os impactos da acusação.
Por outro lado, o escândalo também envolve a nora do ex-governador Rui Costa, que teria recebido R$ 11 milhões do Master, conforme noticiado pelo portal Metrópoles. Este valor foi destinado à BK Financeira, empresa de sua propriedade. Wagner, atual secretário da Casa Civil e potencial candidato ao Senado, declarou que não tem conhecimento de qualquer investigação e negou participar de negociações relacionadas ao banco. A declaração busca afastar sua imagem do escândalo em um momento crítico para suas pretensões políticas.
Influência nas Eleições de Outubro
A crescente turbulência em torno do Banco Master e suas ligações com figuras políticas proeminentes têm provocado um abalo nas estratégias eleitorais. ACM Neto, que já se destacava na corrida, agora enfrenta um cenário mais tenso, enquanto Wagner se prepara para disputar a reeleição ao Senado, sendo uma figura central do Partido dos Trabalhadores (PT). A disputa pelo governo da Bahia se torna ainda mais acirrada, especialmente com a candidatura de Jerônimo Rodrigues, que também representa o PT.
O União Brasil, partido de ACM Neto, tenta transferir parte do desgaste para o PT, alegando que as fraudes bancárias têm raízes nas gestões anteriores do partido na Bahia. Durante o governo de Rui Costa, a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) foi uma decisão controversa, culminando na venda da rede de supermercados Cesta do Povo, que passou a ser administrada por Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A privatização do Credcesta, um cartão de crédito consignado destinado a servidores, foi uma das chaves para o leilão da Ebal, que havia fracassado em tentativas anteriores de venda. O deputado José Rocha (União-BA) destacou em suas declarações que “tudo começou com o PT na Bahia, com o Credcesta. O caso Master vai interferir na campanha de todo mundo que estiver envolvido”. Este cenário gera uma expectativa sobre quem sairá mais prejudicado nas próximas eleições.
Cautela nas Reações Políticas
Apesar da gravidade das revelações, a reação do União Brasil tem sido de cautela. ACM Neto ainda não se manifestou publicamente sobre as implicações do caso Master, optando por avaliar como a situação poderá ser integrada à sua campanha. A estratégia de marketing político está sendo cuidadosamente alinhada, com a contratação do marqueteiro João Santana, conhecido por suas campanhas vitoriosas, mas atualmente crítico do governo Lula.
Do lado oposto, os membros do PT tentam desvincular sua imagem do escândalo. O governador Jerônimo Rodrigues enfatizou que espera uma atuação adequada da Justiça para esclarecer os fatos. “Espero que a Justiça tome conta, acompanhe, monitore e mostre para a gente de fato a realidade. Eu aguardo que a Justiça faça o seu papel, esse é um tema muito sério”, afirmou, sinalizando a importância da lisura no processo eleitoral.
