Cortejo Celebra a Poesia nas Ruas de Salvador
Na última sexta-feira, 13 de março, Salvador acordou imersa em poesia. Artistas, educadores, estudantes e grupos literários se reuniram para participar do XXII Cortejo do Dia Nacional da Poesia, que atravessou as ruas centrais da cidade, oferecendo ao público uma rica mistura de literatura, música e teatro. A edição deste ano homenageou o renomado cineasta e escritor baiano Glauber Rocha.
O percurso, que se estendeu da Praça da Piedade até a Praça Castro Alves, foi repleto de recitais de obras autorais, apresentações cênicas e performances musicais, celebrando ícones da literatura brasileira. O cortejo teve, ainda, um bolo gigante e um “parabéns” coletivo, em homenagem a Carolina Maria de Jesus, Abdias do Nascimento e Castro Alves, todos nascidos no dia 14 de março, cuja data se tornou símbolo do Dia da Poesia.
Douglas de Almeida, pedagogo e arte-educador que esteve à frente da organização, ressaltou que o evento busca levar a poesia para mais perto das pessoas, transformando o espaço urbano em uma galeria de arte acessível. “A poesia é uma expressão artística extremamente necessária. Quando se faz um trabalho que ganha as ruas, ela atinge pessoas que, por diversos motivos, não têm acesso a uma galeria ou livraria. A arte salva”, afirmou Almeida, responsável pela Biblioteca Infantojuvenil Betty Coelho, uma das apoiadoras do cortejo.
Expressão Artística e Transformação Social
Marcos Peralta, poeta e ator que encarna o poeta Castro Alves durante o cortejo, destacou a relevância desse movimento. “São vinte e duas edições do projeto e é uma grande felicidade. Como poeta, venho trazer a beleza da poesia, mas também a sensibilidade de compreendê-la como um instrumento de libertação e transformação social”, expressou.
Peri Rudá, que representou Glauber Rocha, ressaltou a importância do compromisso com a educação. “Estar aqui, entre amigos, celebrando a cultura, é uma honra. Além de manter a poesia viva, trazemos arte para crianças e adolescentes que têm a oportunidade de aprender”, avaliou.
Uma Homenagem à Literatura e à Inclusão
Jeane Sanches, professora e poeta, caracterizada como Carolina Maria de Jesus, enfatizou a relevância da arte nas ruas. “Ela foi a precursora da literatura feminina e negra no Brasil. Para mim, é um dever trazer a poesia dessa grande escritora para aqueles que não têm tanto acesso”, lembrou.
O Cortejo do Dia Nacional da Poesia, que já conta com mais de duas décadas de história, recebeu o apoio da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult/BA). Entre as instituições participantes estavam a Biblioteca Prometeu Itinerante, o Colégio Estadual Teodoro Sampaio, o Colégio Estadual Ypiranga e o Colégio Estadual Senhor do Bonfim.
O evento também contou com a presença de vários coletivos, como o Coletivo de Poetas Além das 7 Praças, o Movimento Exploesia, e a Companhia Teatral A Pombagem, entre outros. Mais do que uma homenagem à literatura, o cortejo reafirmou o papel da poesia como ferramenta de expressão coletiva. No coração de Salvador, os versos reverberaram, lembrando que a palavra também tem um espaço na cidade.
