Propostas Estratégicas para Transformar a Saúde no Rio
Recentemente, um debate importante sobre o sistema de saúde do Rio de Janeiro reuniu especialistas e candidatos a cargos públicos. O evento, mediado por Eloy Oliveira, integrante da ONG RioAgora.org, teve como objetivo discutir mudanças necessárias e viáveis para a melhoria dos serviços de saúde no estado. As propostas elaboradas nesse encontro serão disponibilizadas em uma plataforma online, após a conclusão da série de reuniões, no dia 13 de julho.
O ex-ministro da Saúde, José Gomes Temporão, reconheceu a relevância da integração entre municípios para enfrentar desafios como as longas filas de espera e a otimização do atendimento. Temporão sugeriu ainda que o fortalecimento do complexo industrial de pesquisa e o investimento em políticas de prevenção de doenças crônicas são essenciais para o futuro da saúde no Rio.
“É imprescindível que haja diálogo entre as cidades. Não podemos tratar apenas do município do Rio, desconsiderando a Baixada Fluminense e a Região Metropolitana. O estado possui um potencial significativo em desenvolvimento e inovação, com instituições como a Fiocruz e universidades que geram conhecimento valioso”, enfatizou o médico sanitarista e pesquisador.
Reestruturação do Modelo de Atenção à Saúde
Ricardo de Oliveira, ex-secretário de Gestão e de Saúde do Espírito Santo, abordou a importância da reorganização do modelo de atendimento à saúde. Ele apresentou o projeto de Planificação da Atenção à Saúde, promovido pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) como um modelo a ser adotado.
“A maioria das mortes ocorre por doenças crônicas que deveriam ser priorizadas, mas nosso modelo está muito focado em doenças agudas. A Planificação propõe um ambulatório com diversas especialidades, onde um paciente com diabetes, por exemplo, consegue ser atendido por todos os médicos necessários em um único dia”, explicou Oliveira. Ele ainda destacou que o custo dessa consultoria é baixo, uma vez que é oferecida pelo próprio Conass, que também capacita os profissionais do estado.
“Vivi a experiência de implementá-la no Espírito Santo e o resultado foi motivador. Os profissionais se sentiram realizados ao perceber que estavam impactando positivamente a vida dos pacientes”, complementou.
Violência Contra a Mulher e Saúde Pública
A enfermeira Kelly Carvalho Queiroz, da Secretaria Municipal de Saúde do Rio, trouxe à tona a questão da violência contra a mulher, reforçando que é um problema de saúde pública que deve ser enfrentado com prioridade. Ela destacou que a padronização e humanização do atendimento são vitais para as vítimas de violência doméstica.
“Precisamos implantar uma classificação de risco eficaz, similar à utilizada nas UPAs, também para os casos de violência. Ao atender uma vítima de abuso em uma emergência, por exemplo, deve haver um ambiente separado para garantir privacidade e conforto, evitando mais constrangimentos”, defendeu Kelly.
Outro desafio identificado é a falta de um sistema interligado que permita uma melhor comunicação entre os órgãos governamentais. “Dados perdidos dificultam a atuação. Compartilhando informações sobre o risco que essas mulheres enfrentam, podemos acionar uma rede de proteção mais efetiva”, concluiu.
Regionalização e Transparência na Saúde
O cientista político Miguel Lago ressaltou a necessidade de regionalização no setor de saúde. Ele argumentou que, embora o estado tenha uma boa infraestrutura hospitalar, a distribuição inadequada resulta em dificuldades de acesso para os pacientes. “Pessoas que precisam de tratamentos como hemodiálise enfrentam longas jornadas para receber atendimento. Isso é inaceitável”, criticou Lago.
Ele também fez um apelo por maior transparência na gestão das Organizações Sociais de Saúde (OSS), que devem operar com compromissos claros e sem interferências políticas. “Precisamos de um sistema de saúde que priorize a transparência e a eficiência, garantindo a responsabilidade dos gestores”, enfatizou.
Expectativa de Vida e Necessidade de Investimentos
A professora Ligia Bahia, da UFRJ, trouxe à discussão a baixa expectativa de vida na população fluminense, que é inferior a de pelo menos dez outros estados brasileiros. “A realidade da saúde no Rio é incompatível com o seu desenvolvimento econômico. É imprescindível que o tema da saúde esteja na agenda de políticas públicas, com investimentos adequados e foco em diagnósticos precoces”, defendeu Bahia.
Ela ainda destacou que a longevidade é um indicador fundamental da qualidade de vida e da eficácia das políticas de saúde, sugerindo que esse aspecto deve ser priorizado nas discussões sobre a saúde pública no estado.
A Iniciativa da ONG RioAgora.org
Fundada pelo economista Guilherme Cezar Coelho, a ONG RioAgora.org visa apoiar a criação e implementação de políticas públicas em saúde. “Nosso objetivo é tornar o Rio de Janeiro um exemplo de gestão pública eficiente, promovendo crescimento econômico e melhor distribuição de renda”, afirmou Coelho.
Com essas propostas e discussões em andamento, espera-se que o sistema de saúde do Rio de Janeiro possa ser revitalizado, priorizando o bem-estar e a qualidade de vida da população.
