Uma Noite de Música e Cultura
A Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA), sob a coordenação da Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBA), realizou um encontro inesquecível durante o “Baile Concerto – A Saideira”, evento que marca o final das festividades de carnaval no estado. O concerto, que ocorreu gratuitamente no Largo do Pelourinho na noite de sábado, 21, foi parte do projeto “Carnaval na Bahia: um Estado de Alegria”. A apresentação ressaltou o papel ativo da OSBA na cultura local, celebrando a diversidade musical que caracteriza a identidade baiana.
O maestro Carlos Prazeres, que conduziu a orquestra, e o diretor artístico Manno Góes transformaram o Centro Histórico em um autêntico baile sinfônico a céu aberto. O repertório escolhido homenageou os 110 anos do samba e destacou a variedade dos ritmos baianos, com a participação de artistas renomados como Alinne Rosa, Cortejo Afro, Illy, Larissa Luz, Nelson Rufino, Robson Morais, Serginho do Adão Negro e Edcity.
A Importância da Conexão Cultural
De acordo com o maestro Carlos Prazeres, a participação da OSBA em um evento pós-carnaval é uma forma de fortalecer laços com a sociedade. “Uma orquestra que deseja se conectar com seu público não pode se distanciar da maior festa mundial. Não estamos aqui para ‘civilizar’ a cultura baiana; viemos aprender, trocar experiências e nos integrar. A OSBA hoje é feita de mistura, de emoção, e isso se reflete na nossa apresentação”, disse o maestro, que inclusive sonha em levar a orquestra para tocar em um trio elétrico um dia.
O diretor artístico Manno Góes enfatizou que o Baile Concerto é uma importante plataforma de cidadania e criatividade musical. “Esse evento oferece um espaço vasto para brincar com a diversidade e nos conectar com a sociedade. A OSBA é uma extensão do povo baiano, e levar a orquestra ao Pelourinho, um lugar tão emblemático, é uma realização significativa”, explicou.
Fusões Musicais e Emoções
O destaque da noite ficou por conta da fusão de estilos. O cantor Edcity, que trouxe o pagodão para o contexto sinfônico, ressaltou a relevância de incluir a música periférica em palcos importantes. “A Bahia é plural e tudo está interligado. Realizar esse sonho aqui mostra que o pagodão é de qualidade e pode coexistir em diferentes formatos, incluindo com uma orquestra sinfônica”, celebrou.
Larissa Luz, por sua vez, comentou sobre a experiência visual e sonora das apresentações: “É uma mescla de erudito, afro e percussão. Achei a performance poética e emocionante. Ver essas fusões acontecerem é incrível”, declarou. O cantor Robson Morais, que se apresentou com a Banda Mel no Baile Concerto, também compartilhou seu entusiasmo: “Cantar com a OSBA é um deleite, a sonoridade é tão rica, é como se o som chegasse de forma mais completa aos nossos ouvidos”.
O sambista Nelson Rufino expressou sua alegria em realizar um sonho antigo e a emoção de se apresentar com uma orquestra. “Lidar com uma orquestra de 60 músicos é desafiador, mas estou realizando um sonho de infância. O que aconteceu aqui é uma base para novos horizontes”, afirmou, referindo-se aos arranjos orquestrais que acompanharam sua performance.
Um Tributo Especial e a Importância da Cultura
O evento também contou com uma participação especial de Rodrigo Teaser, famoso por suas homenagens a Michael Jackson. Ele celebrou os 30 anos do clipe de “They Don’t Care About Us” com uma apresentação no mesmo Largo do Pelourinho onde a OSBA se apresentou.
O secretário de Cultura, Bruno Monteiro, destacou a importância da OSBA na promoção da democratização da música clássica e a quebra de estigmas. “A OSBA é fundamental para popularizar a música orquestral na Bahia, rompendo barreiras que frequentemente são impostas por preconceitos ou falta de criatividade. Hoje, neste espaço sagrado da cultura baiana, esses encontros ganham um significado especial”, ressaltou.
Bruno também comentou sobre o papel da arte na segurança e no fortalecimento da identidade cultural do Pelourinho, onde cerca de 600 mil pessoas participaram das festividades de carnaval, com pouco registro de incidentes. “A arte é o que mantém este local vivo; a presença da OSBA aqui demonstra o compromisso do Governo da Bahia com a diversificação artística e a revitalização deste espaço histórico”, concluiu.
Após o sucesso do evento, a OSBA levará o “Baile Concerto – A Saideira” para uma segunda apresentação na Concha Acústica do Teatro Castro Alves neste domingo, 22, às 19h. O encerramento contará com a participação especial de Zeca Veloso, prometendo levar a atmosfera do Centro Histórico para um dos palcos mais icônicos da capital. Ingressos podem ser adquiridos no Sympla e na bilheteria do TCA.
Sobre a OSBA
A Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA), criada em 30 de setembro de 1982, é um corpo artístico do Teatro Castro Alves. Desde sua publicização em abril de 2017, a Associação Amigos do Teatro Castro Alves (ATCA) gerencia a orquestra, que é mantida com recursos do Governo da Bahia, através da SecultBA e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb).
