Reconhecimento em Tempos Desafiadores
No último dia 18, o Banco Central do Brasil (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, de propriedade de Augusto Lima, um empresário que, apesar das dificuldades, conta com uma sólida rede de relações políticas na Bahia. Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, é conhecido por suas conexões que abrangem tanto o Executivo quanto o Legislativo do Estado, transitando por todo o espectro partidário, desde o PT até o PL.
Em meio a esse cenário, Augusto Lima, carinhosamente chamado de Guga, foi agraciado no ano passado com a maior honraria da Assembleia Legislativa da Bahia, a Comenda Dois de Julho. A condecoração reconheceu sua contribuição ao Will Bank e ao Banco Master, empresas que, pouco tempo depois, enfrentariam a liquidação decretada pelo BC, prevista para ocorrer em novembro de 2025 e janeiro de 2026, respectivamente.
O deputado estadual Vitor Azevedo (PL) apresentou a proposta para a comenda, destacando que “Augusto Ferreira Lima é empresário e acima de tudo filho da Bahia”. Na justificativa, Azevedo ressaltou a importância do Banco Master, que adquiriu o controle do Will Bank, um banco digital que conta com mais de 9 milhões de clientes e tem uma forte atuação nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. “A parceria entre Master e Will Bank reforça o compromisso com a inclusão financeira, levando crédito e serviços financeiros ao público de baixa renda no Brasil”, complementou Azevedo, que foi o deputado mais votado do seu partido nas eleições de 2022.
Um Expediente Apressado e Controvérsias
A aprovação da comenda para Augusto Lima ocorreu em um expediente inusitado, com o projeto sendo apreciado e aceito em apenas algumas horas. Apresentado em 17 de dezembro de 2024, o projeto foi direto ao plenário e aceito sem objeções, resultando na entrega da medalha em janeiro de 2025. Vale lembrar que, em 2023, o colega Sandro Régis (União Brasil) havia tentado homenagear Lima, mas desistiu do projeto um dia após sua apresentação, sem explicar os motivos.
A Comenda Dois de Julho, que homenageia figuras que contribuíram para o desenvolvimento político e administrativo da Bahia, leva o nome da data da Independência do Estado e é destinada a personalidades que lutam pela defesa das liberdades do povo baiano. A rapidez na aprovação da honraria levantou questões sobre os critérios e a transparência do processo.
Relações com o PT e Trajetória Empresarial
Augusto Lima não apenas mantém relações com políticos do espectro conservador, mas também é próximo a importantes figuras do PT, como os ex-governadores Rui Costa, atual ministro da Casa Civil, e Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado. Sua trajetória como banqueiro começou com a aquisição da empresa de crédito consignado Credcesta, durante uma privatização na Bahia em 2018, sob o governo de Rui Costa. A Credcesta foi incorporada pelo Banco Master em 2019, quando Lima passou a ser sócio do banco.
Em 2021, Lima adquiriu a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que controlava a rede de supermercados Cesta do Povo, conhecido por oferecer produtos a preços subsidiados. A operação da Ebal foi autorizada pelo governo da Bahia, permitindo que servidores públicos e pensionistas utilizassem crédito consignado para compras na rede, o que fez a empresa prosperar rapidamente, expandindo suas operações para outros estados.
Desafios e Envolvimento com o Banco Central
Entretanto, a recente liquidação do Banco Pleno indicou um novo capítulo na carreira de Lima. O BC decidiu encerrar as atividades do banco, que operava sob o controle de Lima, após aprovar a transferência do controle societário do Banco Voiter, parte do conglomerado do Master, para o empresário. Nascido em Salvador, Lima sempre foi visto como uma figura proeminente no cenário bancário da Bahia.
Vale lembrar que Lima também enfrentou problemas legais, tendo sido preso em novembro do ano passado durante a Operação Compliance Zero, que investiga alegações de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Na ocasião, sua defesa expressou surpresa com a prisão, já que Lima havia se desvinculado de todas as funções executivas no Banco Master em maio de 2024. A saga de Augusto Lima, marcada por honrarias e crises, é um reflexo da complexa relação entre negócios e política na Bahia.
