Reabertura Limitada da Fronteira em Meio a Crises Humanitárias
No último domingo (1º), Israel anunciou a reabertura da passagem de Rafah, que liga a Faixa de Gaza ao Egito, mas apenas para moradores palestinos. A medida, essencial para a entrada de ajuda humanitária, faz parte de um plano de paz promovido pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e já tinha sido acordada entre Tel Aviv e o Hamas em outubro do ano passado.
A reabertura da fronteira foi comunicada pelo Cogat, órgão do Ministério da Defesa de Israel responsável por questões civis na região. Segundo o Cogat, uma fase piloto foi iniciada em coordenação com a missão da União Europeia responsável pelas fronteiras. No entanto, não houve informações sobre a passagem de ajuda humanitária, que continua sendo uma preocupação recorrente.
O trânsito de pessoas pelo local deve começar a ser autorizado a partir de segunda-feira (2). No entanto, a decisão gerou reações de líderes do Egito e da Jordânia, que condenaram as tentativas de deslocar a população palestina. O presidente egípcio, Abdul Fatah Al-Sisi, e o rei Abdullah II da Jordânia se reuniram no Cairo e enfatizaram seu compromisso de impedir qualquer medida que promova o deslocamento forçado dos palestinos de suas terras, conforme declarado em comunicado oficial.
Um porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza, que é controlado pelo Hamas, revelou que cerca de 20 mil pessoas aguardam a reabertura da passagem para receber tratamento no Egito. A fronteira estava fechada desde maio de 2024, quando o Exército israelense assumiu o controle do local. Mohammed Shamiya, um paciente de 33 anos que necessita de diálise, expressou sua angústia, afirmando que seu estado de saúde se deteriora a cada dia.
Além disso, Israel tomou a decisão de interromper as atividades da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Faixa de Gaza, devido à recusa da ONG em fornecer uma lista de seus funcionários palestinos. Essa exigência, segundo o Ministério da Diáspora de Israel, se aplica a todas as instituições humanitárias que operam na região. A MSF denunciou a medida como um “pretexto para impedir a ajuda” a quem dela necessita.
Na sexta-feira (31), mesmo com um cessar-fogo em vigor, Israel lançou um de seus ataques aéreos mais intensos na última semana, atingindo uma delegacia administrada pelo Hamas e áreas onde palestinos que se deslocaram buscavam abrigo. Os ataques resultaram na morte de ao menos 32 pessoas, incluindo três crianças, de acordo com autoridades de saúde locais.
A guerra, iniciada em 7 de outubro de 2023, já causou a morte de pelo menos 25 mil civis em Gaza, conforme admitido por Israel. As próximas etapas do plano de Trump para a Faixa de Gaza incluem a entrega da administração a tecnocratas palestinos, o desarmamento do Hamas e a retirada das tropas israelenses, enquanto uma força internacional se encarregaria da manutenção da paz e da reconstrução da região. O Hamas, até o momento, rejeita a proposta de desarmamento.
