Iniciativa Inédita para a Preservação da Biodiversidade
O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) deu um passo significativo ao iniciar o Programa Estadual de Monitoramento da Biodiversidade, com foco na proteção de espécies ameaçadas de extinção no estado da Bahia. A primeira reunião de alinhamento ocorreu no dia 29 de janeiro, na sede do Parque Estadual de Ponta da Tulha (PEPT), em Ilhéus. O encontro reuniu técnicos, gestores de Unidades de Conservação (UCs), pesquisadores e um representante do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).
O programa será implementado inicialmente em duas importantes áreas de conservação da Mata Atlântica na Bahia: o Parque Estadual de Ponta da Tulha e o Parque Estadual da Serra do Conduru (PESC), localizados no sul do estado. Juntas, essas unidades de conservação abrangem mais de 1,7 milhões de hectares e são lar de ecossistemas variados, como florestas tropicais pluviais, florestas de restinga e manguezais. Além disso, são reconhecidas por sua rica biodiversidade no contexto global.
Com o intuito de monitorar a biodiversidade nos ecossistemas baianos, o programa é dividido em dois principais projetos. Um deles foca especialmente em duas espécies em risco de extinção: a preguiça-de-coleira-do-nordeste (Bradypus torquatus) e o mico-leão-baiano (Leontopithecus chrysomelas), ambas endêmicas da Mata Atlântica e incluídas na lista oficial de espécies ameaçadas.
Abordagem Participativa e Inovadora
O segundo projeto é inspirado no Programa Monitora, uma iniciativa do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que abrange mais de 125 Unidades de Conservação em todo o Brasil. O modelo adotado utiliza técnicas simples e de custo reduzido, permitindo a participação das comunidades locais na coleta e análise de dados.
Mara Angélica dos Santos, coordenadora de Gestão da Biodiversidade do Inema, ressaltou a importância dessa iniciativa. “Este programa representa um passo fundamental para consolidarmos uma política de conservação baseada em evidências científicas. O monitoramento sistemático da biodiversidade nos permitirá conhecer melhor a situação real das nossas espécies e ecossistemas, avaliar a efetividade das ações de proteção e orientar estratégias mais eficientes de conservação,” destacou.
O programa tem potencial para gerar dados científicos que auxiliarão nas decisões de gestão ambiental, permitindo a avaliação de tendências ecológicas e a mensuração dos impactos das atividades humanas e das políticas públicas sobre a biodiversidade na Bahia. As informações coletadas também irão fortalecer a governança ambiental no estado.
Discussões Estratégicas para Implementação
Durante a reunião inaugural, foram discutidos pontos estratégicos essenciais para a execução do programa, incluindo a capacitação do corpo técnico, definição de indicadores de monitoramento, aquisição de equipamentos para o trabalho de campo e financiamento de bolsas para pesquisa. O modelo proposto prevê um monitoramento participativo, envolvendo diferentes atores em todas as etapas do processo.
Com o Programa Estadual de Monitoramento da Biodiversidade, a Bahia avança na proteção de seus ecossistemas, reafirmando o compromisso do Inema e das entidades parceiras com a conservação de espécies vulneráveis. Essa iniciativa alinha-se às melhores práticas nacionais em gestão ambiental e monitoramento da fauna e flora, promovendo um futuro mais sustentável para a biodiversidade baiana.
