Reflexões e Avanços no Cuidado à Saúde da Comunidade Trans
No dia 27 de janeiro, o auditório do Centro Estadual Especializado em Diagnóstico, Assistência e Pesquisa (CEDAP) foi palco do seminário ’10 Anos de Visibilidade Trans na Bahia’. O evento comemorativo celebrou uma década de atuação do Ambulatório Multidisciplinar em Saúde para Travestis e Transexuais, uma iniciativa da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab). A abertura do encontro contou com as palavras de Adryan Luis, Aimêe Campos e Agatha Suany, que, junto ao coordenador do ambulatório, Ailton Santos, ressaltaram a importância de um espaço que, ao longo dos anos, se tornou sinônimo de luta, cuidado e compromisso com a população trans.
O evento também teve uma mesa de abertura composta por diversas autoridades, entre elas Marli Souza (Casa Civil), Matheusa Silva (Secretaria de Relações Institucionais), e Dra. Leila Azevedo (Diretora-Geral do CEDAP). Durante as falas, destacou-se o valor do saber coletivo na construção do Ambulatório Multidisciplinar de Atenção à Saúde de Travestis e Transexuais (AMBTT/CEDAP) e houve reconhecimento à equipe que torna o trabalho do ambulatório viável. As reflexões se concentraram na necessidade de proteção da população LGBTQIAPN+ e na importância de reconhecer a origem do ambulatório nos movimentos sociais, enfatizando que esses momentos são cruciais para dar visibilidade à causa.
O seminário também promoveu apresentações culturais, incluindo uma performance da cantora Fê, que emocionou os presentes ao dividir o palco com Aimêe Campos, enriquecendo ainda mais a programação do dia.
A Importância da Rede de Cuidados para a Saúde Trans
A primeira mesa da manhã abordou “A importância da rede de serviços e da linha integral de cuidados à saúde de pessoas trans no SUS/BA”. Com a participação de Eleuzina Falcão, Daniele Monteiro e outras especialistas, a discussão teve foco nas particularidades enfrentadas pelas pessoas trans, especialmente por aquelas oriundas do interior do estado. A mesa evidenciou a necessidade de um cuidado que inclua planejamento reprodutivo e uma abordagem que considere a interseccionalidade, promovendo ações afirmativas e reforçando a parceria entre assistência, pesquisa e extensão.
Na sequência, a segunda mesa, que teve como tema “Desafios para um Cuidado Afirmativo e Humanizado com Pessoas Trans no SUS/BA”, contou com a presença de profissionais como Dra. Liliane Lins Kusterer e Andréa Novo. O debate destacou a relevância dos processos de macrogestão no cuidado, a cirurgia de afirmação de gênero, e as questões relacionadas à concepção e contracepção, além da necessidade de fortalecer as parcerias institucionais.
Direitos da População Trans no Contexto da Saúde
No período da tarde, o seminário trouxe a terceira mesa, que discutiu “Direitos das pessoas trans no campo da saúde”. Com a participação de representantes como Lívia Almeida e Carlos Martel, as discussões reafirmaram que, conforme a Constituição Federal, todos têm direito a uma vida digna. Apesar dos desafios persistentes, foi celebrado o avanço no diálogo e na construção de redes de apoio, além das complexidades que envolvem a inclusão da população trans no SUS, que requer atenção em diversas esferas.
Foram também debatidas questões fundamentais, como a capacitação para o acolhimento e a necessidade de aprimorar a estrutura dos serviços. Esses pontos foram abordados em um contexto que busca olhar para o futuro e fortalecer as políticas públicas voltadas para a saúde da população trans.
A Importância do Controle Social e Futuro do Cuidado
A mesa final do seminário teve como tema “Controle social na saúde de pessoas trans: avanços e retrocessos”. Participaram do debate ativistas como Cris Sarmento e Bruno Santana, que destacaram a importância do apoio familiar e do cuidado integral à saúde. O painel enfatizou a urgência de expandir os serviços ao interior do estado, considerando as dificuldades de acesso enfrentadas por muitos usuários, além da necessidade de contar com profissionais capacitados e acolhedores.
O evento foi encerrado pelas falas de Dr. Ailton Santos e Dra. Leila Azevedo, que reafirmaram a importância da luta pelos direitos da população trans, destacando que a existência digna de cada indivíduo é um direito humano básico. Esse seminário, portanto, se não apenas uma celebração, mas uma reafirmação do compromisso com a saúde e os direitos das pessoas trans na Bahia.
