Investigação e Irregularidades em Porto Seguro
A obra do Beach Club da família Vorcaro, conhecida por sua ligação com o Master, enfrenta sérios problemas legais após ser embargada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na Bahia. O local, situado em Arraial d’Ajuda, possui uma área de 6 mil metros quadrados dentro de um conjunto arquitetônico protegido desde 1974, que exige autorização do Iphan antes de qualquer intervenção. Segundo informações do Iphan, para iniciar obras no local, o interessado deve garantir não apenas a autorização do órgão, mas também as licenças municipais, ambientais e a permissão da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), uma vez que parte do terreno pertence à Marinha.
Em julho de 2024, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano de Porto Seguro havia concedido uma ‘licença de reforma’ para o imóvel existente, permitindo apenas a troca de telhado, piso, esquadrias e melhorias nas instalações hidráulicas e elétricas. Contudo, uma fiscalização do Iphan encontrou novas construções, incluindo uma piscina, que não estavam previstas no documento da secretaria. A mesma licença aparece na placa do local com o número A011/2024.
Denúncias e Problemas Ambientais
A denúncia sobre a obra irregular partiu do ativista ambiental Tadeu Prosdocimi, que utilizou sua conta no Instagram para compartilhar um vídeo mostrando uma clareira aberta na vegetação próxima à praia, evidenciando a remoção de troncos e terra. “Crime na cara de todos, mas ninguém viu!”, lamentou Prosdocimi. Ele salientou que a obra dizimou a vegetação de restinga, essencial para a proteção costeira, impedindo a erosão e mantendo a biodiversidade local.
A vegetação de restinga é vital para o ecossistema litorâneo, além de contribuir para o turismo e a preservação dos lençóis freáticos. A atuação do Iphan se tornou crucial após a fiscalização inicial realizada em 26 de novembro de 2025, quando foram encontradas intervenções ilegais, como a construção de duas grandes edificações sem a devida autorização. O órgão também não identificou a placa que deveria indicar quem é o responsável pelas obras.
Consequências Legais e Econômicas
Após a nova vistoria em janeiro, a situação não melhorou. A obra continuava em fase de acabamento, agora com a vegetação de restinga severamente afetada. O Iphan emitiu um auto de infração e um termo de embargo em 21 de janeiro de 2026, destacando que as intervenções irregulares alteraram o ambiente e causaram danos ao patrimônio tombado. Essa desobediência à ordem do Iphan é considerada um crime, podendo resultar em ações judiciais e multas para a Milo Investimentos, que não apresentou os projetos exigidos.
Prosdocimi acrescenta que, pela legislação municipal, não podem ser emitidas novas licenças para obras de propriedades com débitos. No caso do imóvel da Milo Investimentos, a empresa acumula dívidas de IPTU com a Prefeitura de Porto Seguro desde 2022, totalizando cerca de R$ 8 mil. O ativista observou que no local havia uma construção antiga e deteriorada que não se compara à atual obra em andamento.
Posicionamentos e Repercussões
Após as denúncias, um representante da obra entrou em contato com Prosdocimi, alegando que o projeto era uma reforma e que a remoção da vegetação teria sido autorizada pela prefeitura. Posteriormente, uma placa foi colocada no local, indicativa de que se tratava de um empreendimento da Milo Investimentos, com licença de reforma da secretaria municipal.
Entretanto, a Milo Investimentos não se manifestou sobre as acusações. A prefeitura de Porto Seguro e a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) também não forneceram esclarecimentos sobre o caso. O envolvimento dos Vorcaro em questões financeiras e a investigação da Polícia Federal sobre fraudes relacionadas ao Banco Master adicionam um grau extra de complexidade a essa controvérsia. As residências do pai e da irmã de Henrique Vorcaro foram alvo de buscas, com mandados expedidos pelo STF para investigar supostos crimes financeiros que ultrapassam R$ 5,7 bilhões.
