O Lançamento do Instituto Terra Firme
Augusto Lima, conhecido ex-banqueiro do Banco Master, fez sua entrada triunfal no Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador. Vestindo uma calça preta e uma camiseta branca, ele subiu ao palco ao lado de sua esposa, Flávia Péres. O evento, realizado em novembro de 2023, contou com a presença de diversas figuras importantes, como secretários e deputados. A orquestra Neojibá, um ícone das gestões petistas, animava os convidados que se deliciavam com uísque enquanto o governador Jerônimo Rodrigues (PT) anunciava uma parceria com o recém-criado Instituto Terra Firme.
Essa ocasião não era apenas uma celebração, mas também uma demonstração do poder e influência que Lima conquistou ao longo de sua trajetória no mundo financeiro. Ele se destacou principalmente após a fundação do Credcesta em 2018, que, em menos de uma década, se expandiu para 24 estados e 176 municípios, solidificando sua presença na Faria Lima, centro financeiro de São Paulo.
Desdobramentos e Escândalos
Em novembro de 2025, Lima se viu envolvido em um grande escândalo após ser preso na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes relacionadas a carteiras de crédito do Banco Master. Atualmente, ele está em prisão domiciliar, usando tornozeleira eletrônica e convocado a depor sobre as irregularidades que surgiram em sua trajetória.
Conforme revelou a Folha, um estudo detalhado da trajetória de Lima mostra que ele utilizou estruturas empresariais complexas e estabeleceu conexões políticas estratégicas. O banqueiro criou laços com fundos de investimento, como a Reag, que foi alvo de uma operação da Polícia Federal. A empresa controladora do Credcesta, a PKL One, recebeu investimentos de um fundo que teve seu nome alterado para Diamond, ligado à gestão da WNT, também mencionada nas investigações.
Trajetória Pessoal e Profissional
Nascido em uma família de classe média em Salvador, Lima, ou Guga, como é conhecido entre amigos, formou-se em economia em 2002, apresentando um trabalho final sobre a indústria do Carnaval. Antes de se aventurar no setor financeiro, trabalhou com a venda de abadás e fundou a Terra Firme da Bahia, atuando como correspondente de instituições financeiras.
Após se aproximar dos governos petistas a partir de 2017, Lima começou a influenciar as operações do estado, como na privatização da Ebal, que administrava o cartão de compras Cesta do Povo. Ele sugeriu melhorias que tornaram o projeto mais atrativo, resultando na venda da estatal para a empresa NGV SPE Empreendimentos e Participações, na qual Lima desempenhou um papel crucial, embora não aparecesse como sócio.
Conexões e Expansão dos Negócios
A NSG, uma das empresas ligadas a Lima, transferiu rapidamente direitos comerciais para a PKL One, onde executivos do grupo Terra Firme também estiveram envolvidos. Lima cultivou uma rede de conexões políticas que o aproximaram de figuras influentes, como João Roma e Ciro Nogueira, ampliando sua influência no cenário político e financeiro.
Impacto e Legado no Mercado Financeiro
O Credcesta, criado com uma taxa de juros competitiva de 4,7%, se transformou em um produto desejado, especialmente entre servidores públicos. Lima estabeleceu um controle rigoroso sobre a operação, mantendo a qualidade e a eficiência do serviço. No entanto, a relação próxima com os governos e as taxas de juros elevadas geraram preocupações sobre a sustentabilidade da operação.
Com o sucesso financeiro, Lima ampliou seus investimentos em ativos significativos, como imóveis e veículos de luxo. Ele também se tornou uma figura central em eventos sociais na Bahia, demonstrando poder e influência. Em fevereiro de 2025, sua empresa participou de um leilão polêmico, levantando questões sobre sua presença em transações públicas.
Desdobramentos Finais
O círculo próximo de Lima tornou-se cada vez mais diversificado após sua relação com Flávia Péres, agora deputada federal e ex-ministra do governo Bolsonaro. A cerimônia de casamento, marcada por sua exclusividade, foi realizada na Ilha dos Frades, refletindo seu status elevado.
No entanto, a recente prisão de Lima e a investigação em curso levantam sérias questões sobre a ética e a legalidade de suas operações no setor financeiro. O futuro do Credcesta e de suas conexões políticas permanece incerto, enquanto o desenrolar dos eventos continua a ser observado de perto por analistas e autoridades.
