Retomada Estratégica da Produção de Ureia
A Petrobras anunciou um avanço significativo para a indústria nacional e o agronegócio brasileiro com o reinício da produção de ureia em suas Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados (Fafens), localizadas na Bahia e em Sergipe. Com investimentos de R$ 38 milhões por unidade, a reativação marca um passo importante para o Brasil, que atualmente depende totalmente da importação desse insumo essencial.
A expectativa da estatal é que, ao longo dos próximos anos, a produção interna consiga atender até 35% da demanda nacional de ureia. Essa iniciativa não apenas reduz a vulnerabilidade do país à dependência externa, mas também fortalece a cadeia produtiva do setor agrícola, que é um dos pilares da economia brasileira.
Produção em Sergipe e Bahia em Andamento
A produção já começou na Fábrica de Fertilizantes de Sergipe, situada em Laranjeiras, onde a unidade reiniciou a fabricação de amônia em 31 de dezembro e deu início à produção de ureia no dia 3 de janeiro. Na Bahia, a Fábrica de Camaçari finalizou as manutenções em dezembro e está em processo de comissionamento, com previsão de início da produção até o final de janeiro.
Essas fábricas têm um papel crucial no abastecimento do mercado interno. A planta de Sergipe tem capacidade para produzir 1.800 toneladas de ureia por dia, correspondendo a cerca de 7% do mercado nacional. Já a unidade baiana pode gerar até 1.300 toneladas diárias, atingindo aproximadamente 5% da demanda total do país.
Impactos Econômicos e Criação de Empregos
Além do impacto na produção, a reativação das Fafens já está proporcionando 1.350 empregos diretos e cerca de 4.050 indiretos, o que movimenta a economia local e fortalece as cadeias produtivas de fornecedores e serviços. As fábricas não se limitarão apenas à produção de ureia, mas também fabricarão amônia e ARLA 32, um insumo vital para a redução de emissões de veículos a diesel, alinhando-se a políticas ambientais e de sustentabilidade.
Uma Estratégia Nacional para Fertilizantes
De acordo com William França, diretor de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, essa recuperação das unidades em Sergipe e Bahia faz parte de uma estratégia mais abrangente para reforçar a capacidade nacional de produção de fertilizantes nitrogenados. Juntamente com a Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA), localizada no Paraná, essas fábricas devem atender a 20% da demanda total de ureia do Brasil, com uma nova unidade em construção no Mato Grosso do Sul.
O panorama atual revela que toda a ureia utilizada no Brasil é importada, o que torna o país vulnerável às flutuações do mercado internacional e a crises geopolíticas. Portanto, a promoção da produção interna é vista como uma estratégia vital para garantir a segurança alimentar e a soberania produtiva do Brasil.
Benefícios para o Agronegócio e Outras Indústrias
A produção nacional de fertilizantes nitrogenados não apenas beneficia o agronegócio, utilizado na fabricação de fertilizantes e na alimentação de ruminantes, mas também é essencial para diversas indústrias, como a têxtil, de tintas e papel e celulose, expandindo o impacto econômico da iniciativa.
França acrescenta que o projeto também apresenta relevância energética e industrial, uma vez que utiliza gás natural como principal matéria-prima, ampliando as possibilidades de uso do gás produzido pela própria Petrobras.
Perspectivas para o Futuro
O retorno das Fafens na Bahia e Sergipe representa um marco significativo na política industrial da Petrobras e no reposicionamento do Brasil no setor de fertilizantes. Com novos investimentos e a construção de uma nova planta no Mato Grosso do Sul, a expectativa é que o país avance consistentemente na redução da dependência externa e melhore sua competitividade agrícola e industrial.
Em um cenário global repleto de incertezas no fornecimento de insumos estratégicos, a produção interna de ureia se destaca como um fator crucial para garantir estabilidade, previsibilidade e um desenvolvimento econômico sustentável a longo prazo.
