Estudo da Fiocruz Bahia Revela Relação entre Dengue e Desigualdade
Uma pesquisa realizada pela Fiocruz Bahia indica que o risco de morte por dengue no Brasil está diretamente ligado a desigualdades sociais. O estudo revela que grupos em situação de vulnerabilidade enfrentam barreiras significativas no acesso a diagnóstico e tratamento adequado. A pesquisa, liderada pela pesquisadora Luciana Cardin, teve como objetivo entender as razões por trás das altas taxas de mortalidade associadas à infecção.
“A pesquisa surgiu para entender por que algumas pessoas têm maiores chances de falecer após contrair a dengue. Um aspecto central foi a análise da influência de raça e etnia no acesso a educação, moradia e serviços de saúde, fatores que podem agravar as chances de morte. Este estudo avaliou mais de 3 milhões de casos de dengue no Brasil, buscando identificar quem corre maior risco de falecer nos primeiros 15 dias após a infecção”, explica Cardin.
Os dados obtidos evidenciam que a mortalidade por dengue não ocorre de maneira uniforme. Aqueles que vivem em condições de alta vulnerabilidade social, especialmente na região Nordeste, têm maior risco. A pesquisa aponta que pessoas que se autodeclaram negras apresentam aproximadamente o dobro da probabilidade de morte em comparação com pessoas brancas durante os primeiros 15 dias após o início dos sintomas. Além disso, o estudo destaca falhas no registro das causas de morte, sugerindo uma subnotificação de óbitos pela doença.
A professora Luciana Cardin enfatiza a importância dos achados: “Com os resultados desta pesquisa, consideramos essencial fortalecer a atenção primária à saúde para identificar precocemente casos graves. Em outros níveis de atenção, é crucial garantir atendimento em tempo hábil, incluindo hidratação rápida em situações críticas. Ademais, investir em saneamento e intensificar o controle do mosquito, principalmente em áreas mais vulneráveis, é imprescindível. Ampliar o acesso à vacina contra a dengue também é vital. Não podemos esquecer que reduzir desigualdades sociais pode salvar vidas”, conclui.
