Setor de Serviços em Alta, Mas Inadimplência Preocupa
O consumo das famílias baianas em 2025 foi, de fato, um reflexo de um cenário de adaptação e cautela. Embora haja uma inflação mais controlada e o mercado de trabalho apresentando níveis recordes, o aumento nos gastos ocorreu de forma seletiva. Priorizar itens essenciais, serviços recorrentes e atividades relacionadas ao turismo se tornou a norma. Ao mesmo tempo, a elevada inadimplência e as taxas de juros em alta impuseram limites claros à expansão do consumo, impactando o comércio tradicional de maneira significativa.
Os dados econômicos divulgados ao longo do ano indicam que, embora o dinheiro continuasse circulando, houve mudanças importantes nos destinos dos gastos. Em Salvador, setores como alimentação, beleza, tecnologia e turismo se destacaram, refletindo tanto a dinâmica econômica quanto transformações no comportamento do consumidor.
Emprego em Alta, Mas Crédito em Baixa
Segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2025 foi um ano de forte dinamismo no mercado de trabalho baiano. No terceiro trimestre, o estado registrou o maior número de pessoas ocupadas desde que a série histórica começou, com cerca de 6,6 milhões de trabalhadores. A taxa de desemprego, por sua vez, caiu para 8,5%, o que representa a menor taxa jamais registrada na Bahia. Mariana Viveiros, supervisora de Disseminação de Informações do IBGE na Bahia, comentou que esse desempenho ajudou a sustentar a demanda interna, mesmo em um contexto de restrições.
“Nos seis principais indicadores de conjuntura econômica monitorados pelo IBGE, apenas o setor de serviços apresentou queda acumulada no ano. O comércio, a indústria e a agropecuária exibem resultados positivos, com o turismo crescendo pelo quinto ano consecutivo”, destacou em entrevista ao Portal M!.
Apesar do aumento na criação de empregos e renda, muitos orçamentos familiares continuaram sob pressão. Kelsor Fernandes, presidente do Sistema Comércio Bahia, revelou que 73% das famílias em Salvador têm algum tipo de dívida, e 25% estão inadimplentes, um reflexo do alto custo do crédito e das taxas de juros elevadas durante todo o ano.
Ranking do Consumo em 2025: Onde o Baiano Gastou Mais
O setor de alimentação fora do lar manteve-se como protagonista no consumo, impulsionado pelo turismo e a realização de eventos. Porém, enfrentou um ano desafiador. Leandro Menezes, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes na Bahia (Abrasel-BA), explicou que o crescimento ocorreu mais pelo aumento do tíquete médio do que pelo aumento no fluxo de clientes. “O faturamento do setor deve fechar 2025 com acréscimo entre 4% e 5%, mas sem aumento no número de clientes. Cerca de 40% dos estabelecimentos operaram no prejuízo ao longo do ano”, disse.
Apesar dos desafios financeiros, o setor de beleza continuou a crescer, sustentado por uma demanda recorrente e mudanças no estilo de vida dos consumidores. Serviços relacionados à estética e cuidados pessoais se tornaram gastos prioritários, especialmente nas áreas urbanas, acompanhando a expansão de pequenos negócios na região.
No comércio varejista, os resultados positivos se concentraram em segmentos específicos, segundo o IBGE. Farmácias, móveis, eletrodomésticos e material elétrico lideraram as vendas em 2025. O consumo de tecnologia e bens duráveis foi caracterizado por um planejamento mais rigoroso e a utilização de datas promocionais, como a Black Friday.
Turismo: O Principal Motor do Consumo em Salvador
O turismo destacou-se como o setor com maior impacto sobre o consumo. Em 2025, as atividades turísticas cresceram 7,4% na Bahia, um dos melhores desempenhos do país. O crescimento impulsionou serviços como restaurantes, hospedagem, transporte e comércio local. De acordo com o IBGE, o segmento de serviços ligados ao turismo contrasta com a queda observada em outras áreas do setor de serviços, consolidando-se como o principal motor de crescimento econômico do estado.
Dados da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) mostram que a economia baiana cresceu 2,6% em 2025, superando a média nacional de 2,25%. Esse crescimento foi sustentado principalmente pela agropecuária e pela indústria, que avançou 1,5%, destacando-se a construção civil com uma expansão de 3,9%.
Expectativas para 2026: Desaceleração Prevista
Para 2026, as expectativas são de uma desaceleração no crescimento, com o PIB da Bahia projetado em 1,4%, segundo a FIEB. Entretanto, uma inflação mais baixa e uma possível redução gradual nas taxas de juros podem oferecer um alívio e criar oportunidades para um aumento no consumo, especialmente no segundo semestre. O que resta saber é como essas mudanças afetarão o comportamento do consumidor baiano e a saúde da economia local.
