Os Perigos da Síndrome do Coração Festeiro
Durante as celebrações de fim de ano, é comum que o consumo de bebidas alcoólicas aumente significativamente. No entanto, esse excesso pode resultar em uma condição preocupante conhecida como “síndrome do coração festeiro”. Essa condição, também referida pelo termo em inglês “holiday heart syndrome”, está associada ao consumo elevado de álcool e ao aumento do risco de desenvolver arritmias, especialmente a fibrilação atrial, que afeta a parte superior do coração, os átrios.
Durante a fibrilação atrial, os átrios apresentam uma atividade elétrica desorganizada e trêmula, enquanto os ventrículos, que constituem a parte inferior do coração, funcionam de maneira irregular. Conforme reportado pelo jornal O Globo, essa desorganização causa um descompasso nos batimentos cardíacos.
Sintomas e Causas
A síndrome se manifesta com sintomas como palpitações no peito, cansaço e falta de ar, que podem ocorrer durante ou algumas horas após a ingestão de álcool. O cardiologista Guilherme Drummond Fenelon Costa, do Hospital Israelita Albert Einstein, ressalta que não é apenas um drink que pode causar a síndrome. É necessário um nível elevado de embriaguez para que os riscos se concretizem.
A intoxicação alcoólica provoca uma diminuição do pH do sangue e desidratação, além de agravar condições como privação de sono e perda de eletrólitos. A combinação desses fatores pode levar ao surgimento da síndrome do coração festeiro, um alerta que precisa ser considerado, especialmente em épocas festivas.
Estudo Revelador
Recentemente, a síndrome ganhou destaque após um estudo publicado em fevereiro, que revisou 11 investigações sobre o tema, na revista Cureus. Os pesquisadores constataram que o binge drinking, que consiste na ingestão de cinco ou mais doses de álcool em um curto espaço de tempo, é um gatilho significativo para a fibrilação atrial.
Jhiamluka Zservando Solano Velasquez, pesquisador na Universidade de Oxford, no Reino Unido, comentou sobre a relevância das descobertas. Ele enfatizou que os resultados foram um avanço importante para a saúde cardíaca. “Uma das descobertas mais marcantes foi a consistência com que a exposição excessiva ao álcool desencadeou arritmias em diversas populações. Mesmo em jovens saudáveis, a ingestão aguda de álcool produziu alterações no sistema nervoso autônomo, responsável pelo controle do coração, além de provocar oscilações no intervalo entre os batimentos, aumento da frequência cardíaca e batimentos prematuros”, explicou.
Portanto, é vital que as pessoas tenham consciência dos riscos associados ao consumo excessivo de álcool, especialmente durante as festas. Garantir uma celebração responsável pode ser a chave para evitar complicações cardíacas e manter a saúde em dia.
